Violência identitária
e transtorno existencial

2º Semestre de 2021 - Quintas-feiras das 17h às 19h. Início das aulas 26/08/2021
Profs. Drs. Alexandre Cabral e Marco Casanova 

            Articular violência, identidade e transtorno existencial já é encarar a violência como uma violação peculiar. Como se sabe, tradicionalmente entendemos a violência como violação dos limites ou atividades intrínsecas a uma certa natureza. O problema é que a noção de natureza metafisicamente pensada se desdobra existencial, ética e politicamente em identidades claramente violentas, uma vez que o sentido de tais identidades não é outro senão a normatização radical do devir histórico dos indivíduos e das coletividades humanas. De um modo ou de outro, os modos de se exercer a existência acabam por sinalizar algum tipo de transtorno. Ora, um transtorno nada tem a ver com transbordamento, no sentido de excesso vital, mas com alguma desarticulação do devir de si próprio em meio ao tecido histórico no qual a própria existência se faz possível. Essa consideração acaba por revelar que a violência identitária só pode ser compreendida por meio de uma pré-compreensão do sentido existencial de existência.

            O sentido existencial de existência, como compreendido pelo que se convencionou chamar de filosofia existencial (Kierkegaard, Heidegger, Sartre, Simone de Beauvoir etc.), nada tem a ver com a constatação da factibilidade e objetividade do ser humano, que se encontra aí, num lugar geométrico chamado mundo. Antes, o sentido existencial de existência assinala, simultaneamente, o caráter performático, temporal, histórico, relacional, finito e mundano da condição humana. É justamente em relação a essa noção de existência que é preciso pensar como a identidade pode violentar a condição humana. É no âmbito do esgarçamento, inviabilização, destruição, supressão, anulação, paralização da dinâmica expansiva da existência humana em meio à multiplicidade de relações e das demais condições histórico-mundanas que sua performatividade finita faz experiências de violência. Ora, a violência identitária aparece, nesse caso, como fonte contínua de obstaculização do sentido afirmativo-expansivo da existência. Isso porque a noção de identidade aí implicada não é simplesmente a ideia segundo a qual todo ente possui uma identidade ontológica, mas a ideia de que o que um ente metafisicamente é – sua natureza, sua essência, seu fundamento ontológico – se traduz em um conjunto de imperativos que dizem o que o ser humano sempre “deve ser”. Daí o casamento de normatividade e identidade, além de diversas formas de violação que irrompem dessa relação.

            O curso proposto possui como objetivo central apresentar formas diversas de articulação entre transtornos existenciais, violência e identidade. Por isso, autores e autoras serão selecionados para que sirvam de interlocutores e interlocutoras para uma abordagem plural do tema escolhido. Vale lembrar que a relação entre transtornos existências, violência e identidade está em jogo nos racismos (em relação a pessoas negras, indígenas, de tradição judaica, dentre outros), no patriarcado, nas práticas LGBTfóbicas, na cultura do estupro, na estigmatização do Candomblé e da Umbanda, no sujeito do desempenho pensado por Byung-Chul Han etc. Daí a necessidade de pensar essa relação de modo plural, o que deverá ser realizado pelo curso proposto.

 

Duração: 12 aulas de 2 horas cada, totalizando 24 horas de aula. Verifique os dias e horários dos cursos na agenda.

 

Acompanhamento remoto - Transmissão online ao vivo das aulas por meio da plataforma Zoom. 

Os vídeos estarão também disponíveis para serem assistidos ao longo do semestre na Plataforma Google Classroom.

 

Valores:

Acompanhamento remoto - R$920,00 (Via Pagseguro, sem juros até 4x)
 

Descontos:​

  • Ao se matricular em mais de um curso o aluno recebe 20% de desconto no valor total das inscrições.

  • Alunos do semestre passado recebem 15% de desconto no semestre atual.
    Descontos não cumulativos.

 

Para mais informações, nos escreva: cursos@institutodasein.org

Alexandre Cabral
Licenciado em Filosofia pelo Centro Universitário Bennett, bacharel eclesiástico em Filosofia pelo Seminário São José do Rio de Janeiro, bacharel em Teologia pela Escola Superior de Teologia (EST), licenciado em Teologia pela Universidade Santa Úrsula, mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, doutor em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e doutor em Teologia na PUC-RJ. Professor adjunto do departamento de Filosofia da UERJ e professor de Filosofia do Instituto Federal Colégio Pedro II.

Marco Casanova

Doutor em filosofia pela UFRJ/Universidade de Tübingen, Pós-doutorado – Universidade de Freiburg, Professor Adjunto do Departamento de Filosofia da UERJ, Presidente da Sociedade Brasileira de Fenomenologia, Autor de O instante extraordinário: Vida, história e valor na obra de Friedrich Nietzsche (2003), Nada a caminho: Impessoalidade, niilismo e técnica no pensamento de Martin Heidegger (2006), Compreender Heidegger (2009) e A eternidade frágil: Ensaio sobre temporalidade na arte (2013), A falta que Marx nos faz (2017), Mundo e historicidade 1 e 2: Leituras fenomenológicas de Ser e tempo – Existência e mundaneidade (2017) e Tempo e historicidade (2020), A persistência da burrice (2020), além de tradutor de um grande conjunto de obras de pensadores alemães como Martin Heidegger, Max Scheler, Friedrich Nietzsche, Wilhelm Dilthey entre outros.

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