Breves reflexões a respeito do sofrimento (aspecto pático da existência)

Eugène Minkowski

 

O sofrimento é uma parte integrante da existência humana. Mais que uma parte, ele a marca, a posiciona. O sofrimento faz sofrer, e isso não é de forma alguma uma tautologia. Machuca, e como! Mas é uma dor que não saberíamos comparar a nenhuma outra. É do domínio do pathos humano e nele o homem reconhece seu aspecto humano.

Como toda dor, o sofrimento deveria ser evitado. Mas ele absolutamente não se submete a esses parâmetros. Ele está aí e nos faz sofrer. Como parte integrante da existência, poderia ele ser considerado uma necessidade? Também não coloca-se sob esse parâmetro. O que é necessário é determinado, como que imposto de fora. Não se escapa dele de forma alguma. É necessário percorrer esse caminho, quer se queira, ou não; devemos fazê-lo. Não devemos em absoluto sofrer. Sem dúvida, o sofrimento pode estar relacionado a um acontecimento exterior. Essa não é de forma alguma sua única origem. E o acontecimento exterior, pelo próprio fato de nos fazer sofrer, deixa de ser um simples acontecimento como os outros. Nós mesmos nos encontramos nele profundamente comprometidos. O sofrimento está em nós e nele tomamos contato com nós mesmos e com a existência. Não miséria humana, mas sofrimento humano. O homem que sofre não tem nada de mísero em si. Ele é o que é como ser humano, e o que não pode deixar de ser.

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Eugène Minkowski

(1885 - 1972) foi um psiquiatra francês conhecido por sua incorporação da fenomenologia em psicopatologia e explorar a noção de “tempo vivido”. Estudante de Eugen Bleuler, ele também foi associado com a obra de Henri Ey e Ludwig Binswanger. Filosoficamente, foi influenciado por Henri Bérgson e a fenomenologia de Edmund Husserl e Max Scheler.

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