A noção de perda de contato vital com a realidade e suas aplicações em psicopatologia

Eugène Minkowski

 

Propomos expor neste trabalho nosso modo de conceber o distúrbio essencial da esquizofrenia, assim como os mecanismos psicopatológicos que determinam as particularidades dessa afecção.

Kraepelin havia chegado a uma noção sintética, muito vasta, da demência precoce, resultado de uma fusão de formas clínicas particulares que, no período anterior, tinham sido consideradas mais ou menos independentes umas das outras, como a catatonia, a hebefrenia e a demência paranóide. As formas ditas simples da demência precoce vieram juntar-se a elas.

Essa síntese coloca um novo problema. Devido à fusão, numa mesma noção, de formas clínicas em aparência inteiramente diferentes, os sintomas e mesmo as síndromes, supostamente características para cada uma delas, perdiam seu valor. Os sintomas são, como diz Kraepelin, intercambiáveis, mais ou menos inconstantes e levam a estados terminais idênticos. Então todos devem ter algo em comum, sendo apenas a expressão mais ou menos acidental de um processo mórbido subjacente, sempre o mesmo. É assim que nasce a necessidade de referir toda a riqueza dos sintomas e quadros clínicos que a demência precoce hoje engloba a um distúrbio fundamental, e precisar sua natureza.

Leia o artigo na íntegra 

 

 

 

 

Eugène Minkowski

(1885 - 1972) foi um psiquiatra francês conhecido por sua incorporação da fenomenologia em psicopatologia e explorar a noção de “tempo vivido”. Estudante de Eugen Bleuler, ele também foi associado com a obra de Henri Ey e Ludwig Binswanger. Filosoficamente, foi influenciado por Henri Bérgson e a fenomenologia de Edmund Husserl e Max Scheler.

Esse espaço é dedicado à divulgação de textos relevantes no âmbito da Psicologia fenomenológica e hermenêutica.

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