A experiência patológica do tempo

Irene Borges-Duarte

 

Esta comunicação nasce de uma convicção e desenvolve, ainda que embrionariamente, uma hipótese de trabalho. A convicção de que parte tem-se alicerçado no estudo quer de aspectos da fenomenologia dos afectos, quer de investigações do foro da psicanálise. É a seguinte: a repetição quotidiana dos comportamentos ritualizados, enquanto expressão da cedência humana ao mundo da vida, raramente permite encontrar experiências puras, originárias, muito embora manifeste vivencialmente aspectos de autenticidade. A hipótese de trabalho, surgida dessa convicção, sobre um fundo de ontologia hermenêutica, basicamente de raíz heideggeriana, é a seguinte: se queremos encontrar a verdade genuína, isto é, a experiência radical do que é constitutivo da compreensão humana e dos seus modos, teremos que procurar, no âmbito do exercício da vida quotidiana, aqueles casos e fenómenos em que, justamente, esses comportamentos rituais falham e se quebram, de facto, e são como tal "falha" percebidos numa experiência singular e profunda de sofrimento: isto é, quando a frágil linha divisória entre a normalidade e a patologia se desvanece, pelo menos parcial e temporariamente. Isto não significa medir o humano pela bitola do "anormal" (por deficit ou por superabundância), mas encontrar na invulgar acuidade de certos instantes vitais - de que todos podemos fazer a experiência, mas que habitualmente não estmaos abertos, ao contrário daqueles cuja fragilidade os expõe desamparada e subitamente - o cunho indelével do que poderíamos chamar "acontecimento fundador" ou, talvez mais brandamente, experiência inicial.

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 Irene Borges-Duarte

Nascida em Lisboa em 1952. Formação em Filosofia nas Universidades de Lisboa (Licenciatura, 1964; Mestrado 1988) e Madrid (Doutoramento, Universidade Complutense, 1994), e em Fenomenologia em Freiburg im Breisgau e em Mainz. Professora associada na Universidade de Évora, aonde chegou em 1996, depois de varios anos de investigação e ensino na Universidade Complutense de Madrid. Actual Directora do Curso de Doutoramente em Filosofia (UÉ). Presidente da Associação Portuguesa de Fenomenologia (desde outubro de 2011). Membro da Associação POrtuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psinalaítica. Membro do Advisory Board da revista Heidegger-Studies (Berlim)

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