Fenomenologias da Libertação: leituras de Paulo Freire, Franz Fanon, Enrique Dussel e Gianni Vattimo

Início 11 de setembro de 2020, das 14h às 16h

Prof. Alexandre Marques Cabral 

O objetivo central do curso é pensar “práticas fenomenológicas” que poderiam ser caracterizadas como fenomenologias da libertação. Para tanto, atravessaremos temas que circundam o conceito de libertação, tal qual desenvolvido na América Latina no século XX. Nesse caso, a libertação não se reduz a uma simples emancipação de contextos históricos opressores. Como assinalou Leonardo Boff, a libertação é libert-ação, porquanto se ocupa em cultivar ações que promovam e criem liberdade em meio a práticas transformadoras. Uma fenomenologia da libertação ocupa-se com a relação entre opressão, emancipação e criação de contextos históricos de liberdade.

Para pensarmos alguns elementos centrais da fenomenologia da libertação, faremos uso das obras de Paulo Freire, Franz Fanon, Enrique Dussel e Gianni Vattimo.

Partindo de alguns conceitos centrais de Pedagogia do oprimido e Pedagogia da autonomia, pretendemos destacar da obra freiriana a relação fenomenológica (o próprio Freire assim considera) entre sistema opressor, realidade histórica do opressor e realidade histórica do oprimido. É a partir da ideia segundo a qual a condição humana é no mundo e com o mundo, que é possível pensar noções como conscientização e crítica como conceitos operativos nas práticas transformadoras do mundo, com vistas à produção histórica de liberdade. Os contornos dessa liberdade e como ela se conjuga com as práticas de libertação – eis o que deve ser destacado ao longo do curso.

Em um segundo momento, estudaremos parte da obra Os condenados da Terra, de Franz Fanon. A condição colonial aí descrita e a violência que ela implica exigiu de Fanon uma ressignificação radical da libertação. Não mais se orientando por conceitos eurocêntricos como tolerância, acordo, diálogo bilateral, dentre outros, a violência de vidas violadas em situação normativa de colonização é um caminho a ser trilhado para produção de liberdade. O prefácio de Sartre a esse livro de Fanon deixa claro que a violência pode ser compreendida em situações de opressão radicais como único espaço de liberdade possível. A pertinência dessa leitura político-existencial de Sartre deverá ser pensada ao longo do curso.

Em um terceiro momento, estudaremos os conceitos centrais da filosofia da libertação de Enrique Dussel, pensamento que se vale da fenomenologia para saltar para o que o autor chama de trans-fenomenologia. Na trans-fenomenologia, inscreve-se a alteridade como o outro irredutível a sistemas de mesmidade ou totalidade, além do movimento de autoafirmação da alteridade contra a violência que se inscreve em qualquer totalidade. Ora, ao entender a América Latino como não-ser, a autoafirmação da alteridade negada acaba por se identificar com a prática de libertação.

Por fim, estudaremos a ontologia débil (ou fraca) de Gianni Vattimo, com o intuito de assinalar como estratégias de dissolução ou enfraquecimento das noções metafísicas de ser se identificam com práticas de libertação que inscrevem o ser humano em um jogo contínuo de interpretações que não se fiam por qualquer instância metafisicamente “em si”. O interpretacionismo vattimiano, cujas matrizes são nietzschianas e heideggerianas, institui uma hermenêutica crítico-emancipatória, aparece em âmbito ético, político, artístico, religioso ou filosófico. Até que ponto o pensamento “débil” possibilita pensar uma fenomenologia da libertação – eis o que deve ser caracterizado ao longo do curso.

Ao final do curso, buscaremos entender até que ponto é possível falar em “fenomenologias da libertação”.

 

Duração:

12 aulas de 2 horas cada, totalizando 24 horas de aula. Verifique os dias e horários dos cursos na agenda.

 

Modalidades:

Presencial - Tendo em vista o isolamento social colocado pela situação da pandemia, este semestre os cursos regulares acontecerão somente na modalidade de acompanhamento remoto online.

Acompanhamento remoto - Transmissão online ao vivo das aulas por meio da plataforma Zoom. 

Os vídeos estarão também disponíveis para serem assistidos ao longo do semestre na Plataforma Eventials.

 

Valores:

Acompanhamento remoto - 4x R$ 230 (boleto bancário)

Descontos:

  • 50% de desconto na primeira mensalidade para matrículas até o dia 16/08/2020.
  • 25% de desconto na primeira mensalidade para matrículas até o dia 30/08/2020.
  • Ao se matricular em mais de um curso o aluno recebe 20% de desconto no valor total das inscrições.
  • Alunos do semestre passado recebem 15% de desconto no semestre atual.
  • Descontos não cumulativos.

 

Inscrições e informações, nos escreva:

cursos@institutodasein.org

 

Alexandre Marques Cabral é licenciado em Filosofia pelo Centro Universitário Bennett, possui bacharelado eclesiástico em Filosofia pelo Seminário São José do Rio de Janeiro, é bacharel em Teologia pela Escola Superior de Teologia (EST), licenciatura em Teologia pela Universidade Santa Úrsula, é mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, doutor em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e, atualmente, cursa doutorado em Teologia na PUC-RJ. É professor adjunto do departamento de Filosofia da UERJ e professor de Filosofia do Instituto Federal Colégio Pedro II. 
Atua nas áreas de metafísica, filosofia da religião, mística, fenomenologia, pensamento medieval, Heidegger e Nietzsche.
Autor de diversos livros na área da filosofia e afins, tais como "Psicologia Pós-Identitária" (2018), "Fenomenologia da Experiência Mística" (2016), "Heidegger e a Destruição da Ética" (2009), "Teologia da Transgressão" (2017) etc.
Currículo Lattes.