Existência e Violência: entre Heidegger, Arendt, Byung-Chul Han e Achille Mbembe

Início 13 de março de 2020, sextas-feiras das 14h às 16h

Prof. Alexandre Marques Cabral

 

 

Levando em conta que toda experiência histórico-política de violência condiciona existencialmente a condição humana, o curso procurará entender as variações político-existenciais da violência no mundo contemporâneo. Por isso, faremos uso de Heidegger, Arendt, Byung-Chul Han e Achille Mbembe. Enquanto horizonte histórico-ontológico de condicionamento de todo fenômeno possível, a técnica é, segundo Heidegger, epocalmente violenta. Por um lado, a técnica empobrece sobremaneira a experiência de mundo do existente humano, uma vez que nela e por ela se dá o acontecimento do abandono do éthos, da morada finita do ser humano e a experiência do sagrado que a condiciona. Por outro, a absolutização da experiência da redução do ente a fundo de reserva energético sempre disponível para ser explorado por um sistema historicamente autonomizado transforma o devir incessante e sem freio em índice de funcionalização plena da totalidade, desenraizando plenamente o ser humano de sua morada histórica. Eis o lugar da violência tecnocrática, que retira da existência a possibilidade de modos de ser dotados de alguma densidade e dignidade ontológicas. Já Arendt tematiza a violência, sobretudo, em dois contexto importante, a saber, enquanto qualidade intrínseca da dinâmica dos sistemas totalitários, que produzem o “mal radical” ou “mal absoluto” e como o contrário do poder, análise nascida de uma clara descrição fenomenológica da vida política a partir de uma abordagem do pensamento grego. Assim, ora a violência se manifesta como a superfluidade da vida produzida pelos sistemas totalitários, dinâmica ainda vigente na atualidade, ora como o contrário de uma experiência da pluralidade humana em meio à qual o discurso e as ações não somente vinculam e integram singularidade e pluralidade, como também decidem o destino da coletividade humana. Em um terceiro momento, devemos analisar as variações do conceito de violência em Byung-Chul Han. Para tanto, faremos uso, sobretudo, da obra Topologia da Violência. Acentuaremos a ideia haniana segundo a qual a violência que se faz hegemônica no sujeito do desempenho das sociedades neoliberais não é extrínseco ao sujeito, mas produzido por ele mesmo. A ditadura da positividade, tema caro à obra de Han, impõe uma violência sui generis, violência esta que leva o sujeito ser um ditador de si, mesmo que ele mesmo se considera livre de quaisquer coerções. Por fim, veremos como a violência é pensada por Achille Mbembe, destacando o conhecido conceito de necropolítica. Nesse caso, a violência atual é produzida politicamente por meio de uma maquinaria complexa, dentro da qual o Estado possui, grande parte das vezes, o papel central. Ao inter-relacionar os conceitos de estado de exceção, estado de sítio, biopolítica e soberania, Mbembe mostra que o Estado Moderno se constitui pela criação constante de inimigos, esses outros que podem/devem ser anulados. Isso mostra a produção da morte como condição de manutenção das relações políticas. Exemplo paradigmático da necropolítica é a escravidão como combustível da modernidade, isto é, a criação de uma morte-em-vida que subtrai do outro seu lar, o direito sobre o corpo e seu estatuto político. Ainda assim, sob a força da necropolítica, é possível resistir e tornar vivo o que foi fabricado como morto.

 

Duração:

12 aulas de 2 horas cada, totalizando 24 horas de aula. Verifique os dias e horários dos cursos na agenda.

 

Modalidades:

Presencial - O curso é ministrado na Rua Paracuê, 157 - Sumaré - São Paulo/SP (próximo à estação Vila Madalena do metrô).

Acompanhamento remoto - Transmissão online ao vivo das aulas por meio da plataforma Eventials.

 

Em ambas as modalidades o aluno tem acesso às gravações em vídeo das aulas ministradas. Os vídeos estarão disponíveis para serem assistidos ao longo do semestre nas plataformas de hospedagem.

Para acompanhar os cursos somente pelas gravações, a inscrição deve ser feita na modalidade de acompanhamento remoto.

 

Valores:

Presencial - 4x R$ 320

Acompanhamento remoto - 4x R$ 230

 

Descontos:

  • 50% de desconto na primeira mensalidade para matrículas até o dia 11/01/2020.
  • 25% de desconto na primeira mensalidade para matrículas até o dia 08/02/2020.
  • Ao se matricular em mais de um curso o aluno recebe 20% de desconto no valor total das inscrições.
  • Alunos do semestre passado recebem 15% de desconto no semestre atual.
  • Descontos não cumulativos.