Existência e Corpo: Nietzsche, Fernando Pessoa, Camus e Pombagira

Início 13 de março de 2020, sextas-feiras das 10h30 às 12h30

Professor Alexandre Marques Cabral

 

 

O curso “Existência e Corpo” pretende caracterizar a noção de corporeidade em Nietzsche, Fernando Pessoa (Alberto Caeiro), Camus e na Pombagira da Umbanda, realçando formas de articulação não metafísicas entre a existencialidade da condição humana e sua corporeidade. Em um primeiro momento, após descrever a dinâmica corporal em Assim falou Zaratustra e articulá-la com o conceito de vontade de poder, iremos apresentar o caráter dionisíaco ou trágico da corporeidade em Nietzsche. Nesse caso, o corpo é uma dinâmica, uma performance criadora de afirmação simultânea da pluralidade, da singularidade e dos contornos da finitude (devir, mortalidade, sofrimento etc.). Em um segundo momento, através de uma análise acurada de “O guardador de rebanhos” de Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa), buscaremos assinalar a relação entre significatividade, visibilidade, sentido, sensação e corpo. Desse modo, o corpo é índice de aparição da plurissignificatividade da Natureza, conceito central em Caeiro, cujo arco semântico só aparece por meio da recusa da subsunção do singular pelo universal. Diferentemente da metafísica e da racionalidade que a ela se submete, o corpo é o campo-horizonte de significação originária do mundo. Em um terceiro momento, devemos acompanhar o conceito de absurdo em Camus, inicialmente articulado em O mito de Sísifo e posteriormente em O homem revoltado. Ao destituir a razão do seu lugar tradicional, Camus entende a afetividade e o desejo como fontes de significação para as experiências humanas. Para lidar com a exigência de um pensamento não metafísico, Camus lança mão, inicialmente, do que chamou de “pensamento absurdo”, que acaba por afirmar e criar sentido para a vida fora da normatividade da razão. Dessa forma, o corpo aparece como índice de produção de sentido, assim como a consciência, posteriormente, nascerá da experiência corporal da injustiça. O lugar do corpo nas duas obras citadas de Camus deverá ser por nós analisado ao longo do curso. Por fim, no quarto e último momento, deveremos nos ater à “corporeidade queer” das Pombagiras de Umbanda. Ao transformar o transe em trânsito corporal e reabilitar gestos e linguagens proibidas pelo cristianismo hegemônico, as Pombagiras ressignificam o lugar do corpo na religiosidade brasileira, ao performarem personagens históricos subalternos. Seu corpo insubmisso produz uma perversão das relações canônicas entre sagrado e profano e deixa nascer a sacralidade das formas corporais abjetas das mulheres brasileiras. 

 

Duração:

12 aulas de 2 horas cada, totalizando 24 horas de aula. Verifique os dias e horários dos cursos na agenda.

 

Modalidades:

Presencial - O curso é ministrado na Rua Paracuê, 157 - Sumaré - São Paulo/SP (próximo à estação Vila Madalena do metrô).

Acompanhamento remoto - Transmissão online ao vivo das aulas por meio da plataforma Eventials.

 

Em ambas as modalidades o aluno tem acesso às gravações em vídeo das aulas ministradas. Os vídeos estarão disponíveis para serem assistidos ao longo do semestre nas plataformas de hospedagem.

Para acompanhar os cursos somente pelas gravações, a inscrição deve ser feita na modalidade de acompanhamento remoto.

 

Valores:

Presencial - 4x R$ 320

Acompanhamento remoto - 4x R$ 230

 

Descontos:

  • 50% de desconto na primeira mensalidade para matrículas até o dia 11/01/2020.
  • 25% de desconto na primeira mensalidade para matrículas até o dia 08/02/2020.
  • Ao se matricular em mais de um curso o aluno recebe 20% de desconto no valor total das inscrições.
  • Alunos do semestre passado recebem 15% de desconto no semestre atual.
  • Descontos não cumulativos.